O que penso sobre a consultoria e ranking MBA

Por Vivianne Wright
Tem algumas (várias) noites, especialmente depois de uma notícia positiva de aceite de algum dos nossos candidatos – o quão diferente os nossos alunos são dos que meu falecido avô, Sir William Stewart Wright, costumava atender nas décadas de 90 e 2000 em sua consultoria MBA, especialmente baseado no ranking MBA.

Eu presenciava vulgos “superstars” vindo para um breve aconselhamento em GMAT, TOEFL e Admissions com o velho guru escocês. Alguns, inclusive geravam uma certa comoção no prédio do Jardim Paulistano onde ele residia, pois implicava em uma horda de seguranças armados cobrindo o perímetro de um edifício pouco acostumado com tal movimento. Claro que ao presenciar herdeiros de famílias como os Safra e os Setúbal vindo buscar aconselhamento sobre como garantir ingresso em um MBA internacional, e efetivamente conseguindo seu intento, a lógica me fazia pensar que um MBA em uma grande universidade Americana ou Européia, era realmente um sonho restrito ao “crème de la crème”. Talvez este mito também estava associado com o fato destes programas soarem como caríssimos, e portanto realmente apenas acessíveis a quem literalmente era dono de um banco.

Eu penso sobre isto porque, claro, é uma lógica que meu próprio avô fez questão de disseminar por muitos anos: a de um sonho provavelmente impossível, e certamente limitado a um grupo muito especial.

A verdade é que até hoje, apesar de 10 anos de esforços da MBA House em mudar, não apenas o cenário, mas também o mito da impossibilidade do MBA, eu vejo que ainda existem passos largos a serem tomados no que se refere à consultoria MBA.

Primeiramente, a estratégia “Red Velvet Rope” adotada por meu avô no passado e por tantos ditos gurus atualmente, onde basicamente o consultor diz estar “fully booked” quando na verdade escolhe se quer atender o cliente ou não, com base no “pedigree” do candidato, ao meu ver só prejudica a indústria de preparação e o candidato. É muito fácil, e óbvio, que um consultor da McKinsey será aceito na Harvard Business School ou em Wharton, e existe muito pouco espaço de ajuste necessário para um application deste tipo. Questiono, inclusive se existe a necessidade de contratar um consultor de admissions em tal caso, por tratar-se de uma “carta marcada” nos MBAs de ponta. A credencial de um candidato obviamente ajuda na admissão, mas o mito disseminado por este mercado de MBA Admissions de que a falta de tal credencial implica em uma desclassificação automatica não é verdadeira. A falta de credencial, seja ela GPA, GMAT, faculdade de ponta, experiência internacional, entre outras, é o que justamente deveria motivar um consultor a pensar fora da caixa e chegar em uma solução favorável junto com o candidato. Infelizmente, poucos estão dispostos a se arriscar pois tiveram que construir a fama de guru e, teoricamente, guru não erra.
E como guru não erra, não é incomum eu ver candidatos que chegam com um objetivo de MBA que está bem abaixo da real capacidade deles, e isso se torna um self-fulfilling prophecy. Pra mim, outro grande deserviço desta indústria de consultoria MBA.

Claro que nem todo mundo tem o perfil para entrar em Harvard ou Stanford. Mas muito do perfil também pode ser construído ou aprimorado ao longo de uma preparação. Por isso também me espanta soluções “relâmpago” onde cobra-se por uma reunião de assessment ou “por hora” para ler e comentar um essay. Um grande mito é acreditar que existe uma fórmula mágica para um application vencedor. O que torna um application competitivo é o grau de envolvimento que o candidato demonstra ter com sua aplicação, e para tanto é importante um período de convivência e conhecimento entre o candidato e consultor. Isso meu avô fazia bem – ele chamava seus candidatos para o convívio – muitos almoçavam ou jantavam com ele, ouvindo histórias de viagens incríveis junto à Marinha Mercante Britânica, e em contrapartida contavam as suas histórias de vida. Foi seguindo esta filosofia que conseguimos operar alguns “milagres”, como a aprovação de um candidato extremamente tímido em Harvard, uma escola notóriamente dominada por candidatos extrovertidos devido à metodologia de case study adotada em aula. Em vez de esconder tal “deficiência”, optei por expô-la ao máximo, e o único essay deste candidato foi sobre sua timidez.

Em um assessment de admissions tradicional, onde visando uma solução rápida mira-se na avaliação de aspectos puntuais como GPA, background, GMAT e é feito um “handicap” das chances de sucesso, tal candidato certamente seria desencorajado a aplicar para HBS. Sorte que ele não deu ouvidos a estes gurus (sim Sandie, me refiro a você!!), e hoje ele sim é um superstar!

Resumo da história. O que eu realmente penso da consultoria MBA? Penso que ela é indispensável. É muito importante ter um “espelho, espelho meu…” – uma pessoa (ou ainda melhor – um time) com a experiência do que deu certo no passado e não funciona mais, o que deu certo no passado e sempre dará, bem como o que realmente não funciona nunca, não importa o quanto tentemos. Amigos que fizeram MBA podem oferecer um feedback, mas, este está limitado ao universo daquela pessoa. Somente um consultor tem a experiência e abrangência necessária – por atender pessoas dos mais diversos backgrounds – a fim de oferecer inputs que podem fazer a diferença. E aviso – isso no princípio pode ser doloroso. Para ilustrar, tem um candidato que está hoje no segundo ano de Stanford. Um candidato espetacular, que logo na nossa primeira reunião deixou clara a preferência por Stanford, e me trouxe essays prontos (provavelmente revisados por estes serviços online de admissions). Na realidade não tinha nada de errado com os essays dele – mas não tinha nada de especial também. Para uma escola de turma tão reduzida, onde entram 4 brasileiros no máximo por ano , “that just would not cut it”. Quando deixei claro para o candidato que ele teria que refazer seus essays do zero, eu percebi que ele considerou formas lentas de me matar. Ele gostava dos essays dele, e este apego é normal. Portanto, eu disse a ele – vamos fazer um teste. Faça só o essay de “What matters most” pensando em escrevê-lo considerando estes quesitos (quesitos que tinham a ver com o background e histórias que ele tinha me contado anteriormente) e aí a gente escolhe qual versão ficou melhor. Depois de umas três revisões, o essay brilhou, e brilhou muito. Mérito do candidato, que eu tinha certeza que seria aceito em Stanford com este novo application – eu só fui o “espelho, espelho meu…” . Isso, na minha opinião é o real trabalho de um consultor de Admissions de MBA.

Obrigada grandpa, pelos ensinamentos, mas, eu prefiro mais ser espelho do que guru.

Vivianne Wright

Vivianne é a responsável pela equipe de applications da MBA House. Ela é formada em coaching pela New York University e atualmente faz mestrado em Harvard e atua como consultora da access MBA.

Vivianne é sócia fundadora da MBA House e responsável por ajudar mais de 100 alunos ano a entrarem nos MBAs Internacionais. Desde 2005 ela elabora métodos de avaliação e identificação das escolas de negócios que mais combinam com os objetivos e portifólio dos alunos.

“Os candidatos que nos procuram, em sua maioria, têm pouco conhecimento de como o currículo deles pode ser valioso para certas escolas e não tanto para outras e por isso, penso que o mais importante, ou seja, até mais importante do que perseguir uma nota alta no GMAT ou ter um recommendation de peso, é perceber que a empreitada do MBA é algo particular, único e precisa corresponder aos anseios do candidato, portanto, em uma primeira etapa, é importante verificarmos o potencial do candidato em relação as escolas que ele irá aplicar e mudar tudo se for preciso.
Em minha opinião, este é um trabalho de coaching e é isso que fazemos na MBA House juntamente com revisões ilimitadas, escolha dos recomendations e treinamento para entrevista. Começamos sempre pelo mais importante que é ouvir o aluno.”

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