Tuck Ivy League – Depoimento de ex aluno

Depois de alguns anos morando nos EUA, não pude deixar de adiar meu vôo para participar do happy hour de Tuck em São Paulo. E foi em um boteco do Itaim Bibi que encontrei com “atletas” do passado, ex-atletas em atividade (eu inclusive), os em plena forma em seus “summer jobs”, e as promessas do futuro. Todos ali, cada um com uma história diferente (todas interessantes por sinal), unidos por uma escola. E você tem aquela afinidade imediata com gente que nunca viu na vida, mas de alguma maneira compartilhou momentos similares (senão idênticos) em tempos distintos.

Aqui agradeço pessoalmente ao Marcelo (MBA House) por abrir minha cabeça a conhecer Tuck. Conseguiu ler os meus interesses e perfil, o que levou a casar com a escola “perfeita” (já explico as aspas). Tinha em mente que queria estudar na Europa, mais especificamente no INSEAD. Por vários motivos não deveria ser a minha escola: curso de 1 ano (somente depois vi que preferia 2); minha esposa, companheira de vida e de classe (T’12) não estava ainda pronta para aplicar junto comigo para INSEAD (iríamos em anos diferentes – o que seria uma péssima escolha); não teríamos as mesmas oportunidades de trabalho fora do Brasil se fosse o desejo (e acabou sendo). Será que eu teria sido feliz no INSEAD? Claro que sim, a escola é espetacular. Mas nunca saberia o que TUCK me proporcionaria.

Voltemos as aspas sem explicação. Acredito piamente que existe a escola para você. Acredito que a escola para você não é só uma. Se falarmos das top 10, provavelmente pelo menos em 5 delas você seria muito feliz. Portanto não feche os horizontes cedo demais, e não se desaponte se “a do seus sonhos” não acontecer. E acredito também que existe a escola espetacular que não é pra você. Não que não sobreviveria, mas que a sua experiência seria aquém das suas aspirações (mais pessoais que profissionais neste caso).

Sempre que me perguntam sobre meu MBA no exterior, a pergunta financeira aparece. Mas é muito caro, você tinha este dinheiro? Vale a pena? Não posso me dar ao luxo de perder dois anos no mercado de trabalho. E se eu fizer um “MBA” aqui no Brasil? Ao menos consigo conciliar com o trabalho. As respostas aqui são de fato apenas minhas, mas aconselho que pensem bastante qual o significado deste investimento para você. No meu caso, sim, valeu muito a pena. Não, não tinha o dinheiro. Isso mesmo, nenhum centavo. Mas fique sabendo que nenhuma das escolas importantes perderia um aluno com grande potencial por falta de dinheiro. Você receberá um pedaço em bolsa, e o restante o ajudarão com um financiamento no exterior com taxas de juros bem mais gerenciáveis que a nossa. Jogue esta muleta fora: não precisa de dinheiro para fazer um MBA em uma renomada escola americana ou europeia. Sobre o “MBA” (sim, entre aspas) no Brasil, deixo que responda você mesmo. Acha mesmo que é a mesma coisa um curso que a maioria dos alunos precisa estudar em média 12 horas diárias, além das horas em sala de aula (outras 5 pelo menos) durante dois anos com um curso que se pode conciliar com o trabalho, com aulas 2 vezes por semana? E o fator ainda mais importante: uma das grandes heranças do MBA é o networking que este lhe proporciona. Quanto vale uma rede de contatos de gente bastante capacitada em posições estratégicas em empresas de renome em todo o mundo? Para muita gente é o ponto que mais vale.

Financeiramente, no meu caso, o MBA se pagou sem dúvida alguma. Mesmo contando os dois anos “paralisados”. Não conseguiria o emprego que tenho hoje sem o MBA. Não teria a mesma flexibilidade de escolhas, e com certeza receberia uma gama bem inferior de opções futuras na carreira. Somando-se a isso existe ainda esta rede de contatos extremamente valiosa.

E o retorno financeiro é uma camada praticamente irrisória no ganho total de um MBA. Meu crescimento pessoal é imensurável. Foram 2 anos mágicos, que nos propiciou (a mim e a minha esposa) os momentos mais fascinantes que se consegue expressar em papel de nossas vidas. Apenas superados por situações tão carregadas de emoção que nem se consegue explicar, como o nascimento do nosso primeiro filho. Estes momentos não insuperáveis, mas estar logo abaixo disto é pra mim uma barra extremamente alta. Viajamos o mundo, conhecemos com detalhe gente de todo tipo, raça e nacionalidade, estudamos não somente os livros dos melhores professores nos campos de pesquisa, mas fomos lecionados pelos próprios autores, almoçamos com executivos das empresas mais inspiradoras que se tem conhecimento, atendemos a palestras de líderes políticos mundiais.

TUCK foi para mim estar imerso durante 2 anos em um ambiente desafiante e acolhedor ao mesmo tempo. Desafiou minha zona de conforto todos os 720 dias. Um volume gigantesco de informação que precisa aprender a gerenciar diariamente, mesmo até escolher aquilo que lhe importa menos e deixar de lado. Saber que para aprender algo muito bem é preciso escolher. E saber que deixar de aprender outros assuntos tem consequências. Mas esta escolha é sua. É ser desafiado por professores experts no assunto e outros 280 alunos extremamente preparados a cada aula, e saber que também esperam de você o mesmo rigor com os outros colegas. E ao mesmo tempo saber que pode contar com cada um deles nos momentos de dificuldade. É reconhecer nossas limitações e entender como nossa bagagem cultural influencia nosso julgamento do mundo ao redor. É aprender a respeitar minorias e outras formas de pensar, mas saber que as mesmas devem também ser desafiadas do ponto de vista argumentativo. Um fato que resume bem onde quero chegar: é no final criar uma amizade daquelas que não se espera mais depois da idade adulta com um Argentino (grande abraço Fede). Isso mesmo, no MBA verá como é ridícula esta nossa rixa contra os Argentinos, principalmente por causa de futebol.

Poderia escrever um livro sobre todos os momentos do MBA. O lado acadêmico, os processos de recrutamento, as inúmeras festas e festivais, os congressos, as viagens, as amizades, os churrascos, os esportes, etc. Ainda bem que inventaram o Chopp. Me convide e conversamos o tempo que quiser, mas você paga.

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Gustavo Fróes Ferreira

Tuck School Of Business at Dartmouth – Class 2012