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GMAT Data Sufficiency: teoria completa e uma questão resolvida passo a passo

A Suficiência de Dados é o tipo de questão que mais confunde quem começa no GMAT — porque você não precisa resolver o problema, e sim decidir se ele pode ser resolvido. Neste guia, explicamos toda a lógica das cinco alternativas e resolvemos, em detalhe, uma questão oficial sobre a receita de uma livraria.

Publicado em 1 de julho de 2026 · por MBA House

Data Sufficiency (Suficiência de Dados) não pede a resposta — pede a decisão de se dá para responder. Cada questão traz uma pergunta e duas afirmações, (1) e (2). Você avalia se cada afirmação, sozinha, resolve a pergunta e, se não, se as duas juntas resolvem. Depois escolhe entre cinco alternativas fixas (A a E), sempre as mesmas. No GMAT Focus Edition, esse tipo de questão vive na seção Data Insights. A resposta da questão da livraria analisada aqui é (C).

O que é Data Sufficiency no GMAT

A Suficiência de Dados (em inglês, Data Sufficiency, ou simplesmente DS) é um formato de questão exclusivo do GMAT. Em vez de pedir para você calcular um resultado, ela pergunta se as informações disponíveis são suficientes para chegar a uma resposta definitiva. É um teste de raciocínio lógico disfarçado de problema de matemática.

Toda questão de DS tem a mesma anatomia: uma pergunta (que pode ser de valor — "quanto vale x?" — ou de sim/não — "x é maior que 10?"), seguida de duas afirmações numeradas, (1) e (2). Seu trabalho é decidir qual combinação de afirmações é suficiente para responder à pergunta.

Segundo o GMAC, organizador oficial do exame, no GMAT Focus Edition a Suficiência de Dados deixou de fazer parte da seção Quantitativa e passou a integrar a seção Data Insights — ao lado de interpretação de gráficos, tabelas, raciocínio de duas partes e análise multi-fonte. O formato das cinco alternativas, porém, continua idêntico ao de sempre.

As 5 alternativas: A, B, C, D, E

Este é o coração do formato. As cinco opções de resposta são sempre as mesmas, em todas as questões de DS. Decorá-las até que se tornem automáticas economiza segundos preciosos:

  • (A) A afirmação (1) sozinha é suficiente, mas a (2) sozinha não é.
  • (B) A afirmação (2) sozinha é suficiente, mas a (1) sozinha não é.
  • (C) As duas afirmações juntas são suficientes, mas nenhuma delas sozinha é.
  • (D) Cada afirmação, sozinha, já é suficiente.
  • (E) Mesmo as duas juntas não são suficientes.

Um jeito prático de gravar: pense em "1, 2, juntas, cada, nenhuma". A ordem A→E percorre exatamente esse raciocínio. Um mnemônico clássico em inglês é AD / BCE: se a afirmação (1) for suficiente, a resposta só pode ser A ou D; se não for, só pode ser B, C ou E. Isso corta o campo pela metade logo no primeiro passo.

O método passo a passo

Toda questão de Suficiência de Dados se resolve com a mesma sequência disciplinada. Nunca comece somando as duas afirmações — avalie uma de cada vez.

  1. Reformule a pergunta. Traduza o enunciado em uma pergunta matemática simples e explícita. Muitas vezes ela pode ser simplificada antes de olhar as afirmações.
  2. Anote o que já se sabe. Informações no enunciado (fora das afirmações) valem para tudo. Elas não são opcionais.
  3. Teste a afirmação (1) sozinha. Ela responde à pergunta de forma única e definitiva? Sim → guarde "A ou D". Não → guarde "B, C ou E".
  4. Teste a afirmação (2) sozinha — esquecendo a (1) por completo. Este é o erro mais comum: deixar a informação da (1) "vazar" para a análise da (2).
  5. Se necessário, teste as duas juntas. Só chegue aqui se cada uma, sozinha, foi insuficiente. Combine-as e verifique se agora a resposta é única.
  6. Escolha a alternativa conforme o resultado dos testes.

A regra de ouro: em perguntas de sim/não, uma afirmação é suficiente quando leva sempre ao mesmo sim ou sempre ao mesmo não. Se às vezes dá sim e às vezes dá não, ela é insuficiente. Em perguntas de valor, ela é suficiente quando trava um único valor possível.

A questão da livraria

Vamos aplicar tudo isso a uma questão oficial no estilo GMAT. Leia com atenção:

Ontem, a Livraria B vendeu duas vezes mais livros de capa mole (softcover) do que de capa dura (hardcover). A receita da Livraria B com a venda de livros de capa mole ontem foi maior do que a receita com a venda de livros de capa dura?

(1) O preço médio (média aritmética) dos livros de capa dura vendidos na loja ontem foi US$ 10 maior do que o preço médio dos livros de capa mole vendidos ontem.

(2) O preço médio dos livros de capa mole e capa dura vendidos na loja ontem foi maior que US$ 14.

Resolução comentada

Passo 1 — Reformular a pergunta. Vamos dar nomes às variáveis. Seja \( h \) a quantidade de livros de capa dura vendidos e \( s \) a de capa mole. O enunciado diz que vendeu-se o dobro de capa mole: \( s = 2h \). Sejam \( p \) o preço médio da capa mole e \( q \) o preço médio da capa dura.

As receitas são:

Receita capa mole \( = s \cdot p = 2h \cdot p \)   ·   Receita capa dura \( = h \cdot q \)

A pergunta "a receita da capa mole é maior?" vira:

\( 2h \cdot p > h \cdot q \; ? \)

Como \( h \) é uma quantidade positiva (foram vendidos livros), podemos dividir os dois lados por \( h \) sem inverter o sinal. A pergunta se simplifica para algo muito mais limpo:

\( 2p > q \; ? \)

Repare como a quantidade de livros desapareceu. A relação \( s = 2h \) já foi totalmente usada. A questão agora é só sobre a relação entre os dois preços médios. Essa simplificação é o passo decisivo.

Passo 2 — Testar a afirmação (1) sozinha. A (1) diz que a capa dura custa, em média, US$ 10 a mais que a capa mole: \( q = p + 10 \). Substituindo na pergunta \( 2p > q \):

\( 2p > p + 10 \)   ⟹   \( p > 10 \; ? \)

A pergunta agora depende de saber se o preço médio da capa mole passa de US$ 10. Mas a (1) não diz quanto vale \( p \). Se \( p = 20 \), então \( p > 10 \) é verdadeiro (sim). Se \( p = 5 \), é falso (não). Como às vezes dá sim e às vezes dá não, a afirmação (1) é insuficiente. Guardamos: a resposta está entre B, C ou E.

Passo 3 — Testar a afirmação (2) sozinha (esquecendo a (1)). A (2) diz que o preço médio de todos os livros vendidos foi maior que US$ 14. Atenção: é uma média ponderada, porque vendeu-se o dobro de capa mole. O preço médio geral é a receita total dividida pela quantidade total:

\( \dfrac{2h \cdot p + h \cdot q}{2h + h} = \dfrac{2p + q}{3} > 14 \)

Multiplicando por 3: \( 2p + q > 42 \). Isso relaciona \( p \) e \( q \), mas não nos diz se \( 2p > q \). Por exemplo: \( p = 20, q = 20 \) satisfaz \( 2p + q = 60 > 42 \) e dá \( 2p = 40 > 20 = q \) (sim). Já \( p = 5, q = 40 \) satisfaz \( 2p + q = 50 > 42 \) e dá \( 2p = 10 < 40 = q \) (não). De novo, ora sim, ora não. A afirmação (2) é insuficiente. Agora a resposta está entre C ou E.

Passo 4 — Testar as duas juntas. Combinamos \( q = p + 10 \) (da afirmação 1) com \( 2p + q > 42 \) (da afirmação 2). Substituindo \( q \):

\( 2p + (p + 10) > 42 \)  ⟹  \( 3p + 10 > 42 \)  ⟹  \( 3p > 32 \)  ⟹  \( p > 10{,}67 \)

E a pergunta, lembre-se, tinha se reduzido a "\( p > 10 \)?". Se \( p > 10{,}67 \), então com certeza \( p > 10 \). A resposta é sempre sim. As duas afirmações juntas resolvem a questão de forma definitiva.

Conclusão: cada afirmação sozinha é insuficiente, mas as duas juntas bastam. A resposta é a alternativa (C).

Note o que não fizemos: não calculamos a receita, não achamos o preço exato, não precisamos de números concretos. Bastou saber que a resposta ao "sim/não" era única. Esse é o espírito da Suficiência de Dados.

Vídeo: a resolução em aula

Veja abaixo a resolução completa desta questão comentada em vídeo pela equipe da MBA House, com o raciocínio passo a passo em tempo real:

Armadilhas mais comuns na Suficiência de Dados

  • Resolver o problema até o fim. A questão pede uma decisão, não um número. Calcular o valor exato desperdiça tempo e induz a erros.
  • Deixar a (1) "contaminar" a (2). Ao testar a afirmação (2) sozinha, esqueça completamente a (1). Muita gente perde a questão por carregar informação indevida.
  • Esquecer da média ponderada. Quando as quantidades são diferentes (aqui, o dobro de capa mole), a média geral não é a média simples dos preços. É preciso ponderar pelas quantidades.
  • Ignorar restrições escondidas. Aqui, o fato de \( h \) ser positivo permitiu dividir a desigualdade sem inverter o sinal. Em outras questões, um número poder ser negativo ou zero muda tudo.
  • Confundir "sim/não" com "valor". Em pergunta de sim/não, você não precisa do valor: precisa que a resposta seja sempre a mesma. Saber que \( p > 10{,}67 \) já basta, mesmo sem saber \( p \).

Quer treinar mais questões como essa? Veja também nosso guia da seção Quantitativa do GMAT e o passo a passo de como estudar para o GMAT.

Perguntas frequentes

Perguntas frequentes sobre Data Sufficiency

O que é Data Sufficiency no GMAT?

Data Sufficiency (Suficiência de Dados) é um tipo de questão do GMAT em que você não precisa resolver o problema, mas decidir se as informações fornecidas são suficientes para respondê-lo. Cada questão traz uma pergunta e duas afirmações numeradas (1) e (2), e você escolhe entre cinco alternativas fixas (A a E) que dizem qual combinação de afirmações basta para responder.

A Suficiência de Dados ainda cai no GMAT Focus Edition?

Sim. No GMAT Focus Edition, a Suficiência de Dados saiu da seção Quantitativa e passou a integrar a seção Data Insights, junto com interpretação de gráficos, tabelas, raciocínio de duas partes e análise multi-fonte. O formato das cinco alternativas continua exatamente o mesmo.

Quais são as 5 alternativas da Suficiência de Dados?

(A) apenas a afirmação (1) é suficiente; (B) apenas a afirmação (2) é suficiente; (C) as duas juntas são suficientes, mas nenhuma sozinha; (D) cada afirmação sozinha já é suficiente; (E) mesmo as duas juntas não são suficientes. Essas cinco opções são sempre as mesmas, em todas as questões.

Preciso calcular o valor exato na Suficiência de Dados?

Não. O objetivo é decidir se dá para responder, não qual é a resposta. Em perguntas de sim/não, basta que a resposta seja sempre sim ou sempre não. Em perguntas de valor, basta saber que o valor é único. Calcular o número exato desperdiça tempo e é uma armadilha comum.

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